Quando abro meus olhos, vejo o espaço.
Não há passado ou futuro. Não há possibilidades ou probabilidades. Apenas uma permanente contemporaneidade com o que está se prefigurando, aqui e agora.
Traços que seguem desenhando sem deixar de tocar o papel da existência, mudando de tons, cores e direção a todo instante, desconstruindo-se assimetricamente em permanente crise perfeita.
Quando abro meus olhos, vejo o tempo.
Todas as possibilidades passadas, todas as probabilidades futuras, dimensionadas através da imprevisibilidade do presente.
Metamorfose eterna sem começo, meio ou fim.
Fecho os olhos, o espaço é tempo, o tempo é espaço. E este emaranhado caótico de liberdade incompreensível se identifica com o ponto de sua origem e destino, ele mesmo, quando mergulhado no abismo profundo do não-ser.
Quando pisco meus olhos, vejo o humano.
As pessoas, suas escolhas, fundados em um flash da realidade, que oculta um espaço ilimitado e um tempo infinito.
Quando fecho meus olhos, vejo o humano.
Um ponto luminoso em expansão, que está em todo lugar e em lugar nenhum, em todo tempo e em tempo algum.









