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Mutum traz uma jovialidade que vivenciamos raras vezes em nossas vidas. Uma beleza natural que se expressa na informalidade dos pequenos gestos e trejeitos. Vê-la desperta aquela ansiedade de atirar-se e perder-se nas curvas dos seus risos e gemidos. E ela, muda apenas na fala – mas não no corpo e olhares – corresponde.

Surdus estava perdidamente apaixonado. Um curioso inquieto com alma de astronauta-pirata em busca das mais belas nebulosas e mistérios inexplorados do universo humano.

Mutum e Surdus combinavam em perfeita simbiose. Uma sintonia surgida na história das memórias nunca esquecidas. Uma sinergia capaz de ter criado um outro saber sobre nossas lembranças, as quais apoiaram o caminho da Mutum ao encontro de Surdus por toda vida.

A memória para Mutum é sempre um perguntar. Uma busca pelo sentido que trava na garganta no aguardo da resposta, sem mesmo ter nascido. Sua pergunta, calada, muda, ocorre a todo instante. Sim, perguntamos sem verbalizar. Perguntamos como uma resposta em movimento à dança que compomos com o meio. E Mutum aprendia assim, perguntando sem cessar.

Mutum, humana que era, não tinha nascido. Mas sempre esperava morrer. Por que nos programaram assim? As dúvidas de Mutum sempre são elaboradas como cartas para a morte. Não há maiores expectativas. Perguntas que esperam morrer sem terem nascido. Envia seu movimento por pura dádiva, pela reciprocidade não obrigatória que a motiva, pela entrega sem esperar nada em troca. Dessa forma única Mutum pode ser quem é com total liberdade.

Sempre há ressurreição. Não é fabricada, planejada, arquitetada. Acontece. Perguntas não morrem nem nascem, elas são o fluxo em movimento. Alguns dizem que, ao enviar suas perguntas, Mutum morria aos poucos. Mas ela também nascia aos poucos toda vez que recebia uma resposta. A morte da pergunta é sua ressurreição. Por isso, Mutum e Surdus viviam há milênios sem fim. Mutum vivia na resposta de Surdus, tal como a amada que recebe seu prometido, no mais belo dos colóquios amorosos.

A dança da memória das lembranças imprevisíveis.

Surdus acompanhava aquela dança e mal sabia que suas dúvidas, em verdade, eram as respostas para Mutum. Achavam que falava consigo mesmo. Nunca.

Sem outros sentidos conhecidos, somente o impulso que movimenta o fluxo é percebido entre ambos. Poderíamos dizer que a resposta era sempre um chute, um palpite. Mas não há uma aposta na sorte quando a confiança no recebimento de uma resposta é o que nutre tais “chutes” sucessivos, tempestivos, humanos.

A história de Mutum e Surdus é a nossa história, quando o tecido social que somos está vívido e radiante. É também perceber que nossas memórias não são nossas, mas estão compartilhadas na pessoa que nos emaranhamos. E que a entrega constrói a confiança que nos permite sermos humanos.

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