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Coachs e mentores de todas as espécies, de todos os cantos, de cada buraco, estamos repletos deles pelo mundo. Mas não é novidade.

Gurus existem desde que me conheço por gente. Gurus? Falemos deles.

Você quer ser a pessoa que saca o que outras não sacam. Que enxerga além do comum, do ordinário, do medíocre. A fórmula secreta, o segredo não revelado, o mistério encoberto. Tirou suavemente o véu de Ísis e penetrou no abismo que esconde a luz infinita da sabedoria intocável por meros profanos.

Então, nessa ânsia pelo ridículo que revela o quanto da fraqueza de todos nós, a sordidez de nossas esperanças, um suspiro para nossas inseguranças, você é a pessoa que conseguiu perceber um padrão neste universo caótico que vivemos.

A utopia de enxergar um padrão não é mais somente ingênua, não fosse a cegueira pelo poder e vaidade de seus pseudo-mestres transpirando um mar de orgulho fétido.

Então, há um padrão misterioso que seu guru revela pela grana que vê na palma gélida de sua mão. E ele é a voz corajosa que sai para de dar um tapa na cara e alisar seus cabelos, aconchegando seu rosto entre seus peitos maternos.

É auto-ajuda, mas não só. É motivacional, mas não só. A ciência mudou.

Antes tínhamos os videntes, astrólogos, numerólogos, runólogos, caras-de-paulólogos de todas as categorias, erguidos sobre seus livros e ciências, indicando o caminho do sucesso, do amor e do dinheiro para seus afoitos fetos patriarcais.

Mudaram as estações, os livros, as ciências, a linguagem e a moda. Mas sãos os mesmos. Os videntes da nossa geração agora se vestem no social casual, falam palavras  outras como mindset, performance e até o foda-se – que tanto gosto.

Todos eles, não importa se videntes de qualquer merda ou coachs para o desespero que for, acreditam que existe um caminho correto que, se trilhado com perseverança, foco e disciplina, tal como qualquer ritual ou mandinga de outrora, você chega lá. Lá? No topo, para a vitória do que quer que seja. Hoje, ontem, amanhã, o pico da montanha será o mesmo: sucesso na vida, nos negócios, no amor, na forma física, na saúde, na beleza, no dinheiro, em tudo que possa distraí-lo do buraco imenso que existe aí no meio do seu corpo débil.

Mas-que-merda!

Só não mudaram os gurus de todas as épocas porque também não mudaram seus desesperados discípulos. Continuam os mesmos, buscando as mesmas soluções para os mesmos problemas. Se puder ser rápido, tipo agora, melhor. Mas nossa geração tem novos problemas na alma. É a falta de tempo, para si, para os outros, para quem ama. É o canudo do demônio patriarcal-hierárquico-autocrático sugando sua alma todos os dias. Não dorme bem, seu descanso não permitem os anjos da noite recarregarem sua alma com sonhos. Come lixo, mal, deprime, zero auto-estima.

Então a promessa dos novos tempos é fazer tudo melhor e mais rápido. Você vai aprender a delegar, a priorizar, a conhecer o importante, a lidar com o urgente, a focar na sua meta, a desprezar o que não contribui com seu caminho, a desfazer amizades antigas que te jogam pra baixo, a lamber o saco de novas pessoas que podem abrir as portas certas, vai criar uma rotina ritualística para hackear seus velhos hábitos, a criar novos comportamentos, você vai ser um campeão!

Zé-mané.

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