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Personalidades do mundo todo reconhecem como uma vitória democrática a eleição ocorrida naquele país, eleição esta que selaria décadas de horror político e desumanidades que nos reduziriam a quem não somos.

Poucos democratas foram astutos o suficiente para perceber que o verdadeiro propósito oculto na penumbra do eleito sempre foi agir como a vespa parasitoide hymenoepimecis argyraphaga.

Essa vespa deposita seus ovos dentro da aranha plesiometa argyra e que, de alguma forma, reprograma seu comportamento para construir teias especialmente preparadas para receber e proteger as larvas da vespa que nascerão.

Então, quando prontas, as larvas devoram a aranha de dentro para fora, saindo do corpo da hospedeira e se aproveitando da casa que ela mesma construiu.

Esse neopopulismo aprendeu a usar a democracia contra a própria democracia. Esconderam sua corrupção sistêmica – praticada por um núcleo duro com fins autocráticos para alterar o genos democrático em benefício do seu projeto de poder – dentro da corrupção endêmica – praticada pelos profissionais políticos para se dar bem na vida, mas facilmente metabolizada pelas instituições democráticas.

Na pior de todas as intenções, compraram todos. Não foram apenas os financiadores de grande parte de seus projetos, capitalistas sedentos pelo apadrinhamento do Estado, tais como empreiteiras, mineradoras, bancos, petrolíferas etc. Não foi apenas garantindo vitórias e demandas para atender seus anseios de crescimento econômico para comprar seu permanente apoio político-financeiro.

Garantiram – e também compraram – o apoio aos que passam fome, convertendo-os em dependentes eternos de um projeto assistencialista.

Garantiram – e também compraram – o apoio a todas as minorias negras, LGBTs, indígenas, escoando milhões de reais pelas máquinas não-governamentais de lavar dinheiro público.

Garantiram – e também compraram – verbas para as universidades e projetos de pesquisa, Rouanet para os artistas, vagas para cargos públicos, verbas para campanhas de toda espécie de políticos profissionais que viam facilitada sua permanência ao seguir o rabo desta serpente maligna para o conviver que nos torna amistosos e amigos.

Todos foram comprados, mas não importa, no fundo todos esses desejavam ser cavalgados por um bom rei.

Agora ele volta, não mais como um menino cheio de energia e com a visão de realizar seu sonho (autocrático), mas como um mártir ressuscitado com sede de vingança. Desejo este expresso linha por linha em seu plano público de governo e apoiado silenciosamente no canto mais sujo e fétido de nossos corações. Por enquanto.

Pois enquanto a oposição derrotada se levanta nas ruas contra a corrupção que volta como Godzilla enfurecido, estes outros ainda mantinham no lodo do poço político tais desejos secretos. Agora, ora, agora meu amigo e minha amiga, agora é guerra.

Só que não adianta mais os moralistas e jacobinos, todos urrando como burros enraivecidos dando coices tresloucados por todo lado, protestar contra a volta do esquema corrupto. Não entenderam que foram eles mesmos que deram força e os colocaram de volta ao poder. Não entenderam que foram eles que atestaram o discurso de que todos são iguais, todos são corruptos, e que fizeram a maioria da população eleger na base do “corrupto por corrupto, prefiro aquele que olha por mim”.

Uma pena estarmos tão repletos de analfabetos democráticos com deficiência do mínimo de capacidade analítica. Alguns poderiam dizer que assim é que aprendemos. Mas, sinceramente, não sei se haverá este tempo. Me parece mais um retrocesso à idade média, em termos políticos. Um objeto de estudo dos mais interessantes aos psicanalistas sociais.

Se o outro lado ganhasse, talvez seria pior, mas só no curto prazo. O neopopulismo invadiria as ruas para pedir impeachment, acionaria seus teatro de bonecos em todas as instituições do estado democrático de direito para derrubar quem os derrubou. Mas as ruas iriam sangrar.

Guerra civil quente. Coturnos, chinelos, armas, facas, mulheres tratadas como putas (como se ser puta fosse algum tipo de problema ou desvio), ingênuos universitários tratados como inimigos públicos, gays e travestis sendo torturadas como bruxas em praças públicas, soldados com o peito vermelho manchado com o sangue de seus pescoços divididos. No astral, deus-pátria-família peleja com a ideologia-utopia-igualdade. Um pandemônio de uma mesma legião com sinais contrários.

Não é melhor uma guerra civil fria. Guerra é guerra. E esta que é silenciosa é a vigilância permanente que nos separa pela desconfiança. Do que adiantou essa instrumentalização política através do moralismo? Bando de imbecis!

A política morreu. Não, política não são estas instituições nem seus profissionais. A política somos nós, nossa convivência, as comunidades.

E com a morte da política, segue a de nossa humanidade.

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