Conhecimento vivo, #devir37

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Vivemos frequentando os mesmos lugares. Não importa o endereço, a maior parte deles são os mesmos, organizados do mesmo jeito, topologicamente viciados no movimentar que condiciona nossos emocionares à reprodução.

Nos enganaram quando inventaram a máquina. Xerox de nossa humanidade, impressora dos borrados de nossas pessoas. Pensamos que poderíamos viver mais tempo reproduzindo o que conquistamos. Não era ouro ou poder, simplesmente, conhecimento.

Tudo era posto na máquina. Um arco-íris trevoso envolto pela neblina gradiente da vida sem vida. Ciência, a religião dos modernos, liberdade em forma de algemas aos filósofos, tudo contra o erro inesperado da vida: a morte.

Falam para mim tal como disseram à eles, tal como falo aos outros, você. Conhecimento que se repete e perpetua, como herança deixada pelos corpos dormentes sete palmos abaixo da terra ou nas cinzas que se elevam da chama.

Conhecimento morto.

Conhecimento que só existe enquanto há o conviver sob a autoridade. O jugo do meu senhor é bom, pois com ele sou saudável, melhor e mais sábio. Receba meu jugo, humilde cavalo, serei bom para você. Me obedeça e aceite meus conselhos.

O que tu recebes é a herança do conhecimento humano, que não nos permite mais sermos subjugados por outras forças, natureza ou deus, pouco importa, queremos nos livrar das incertezas e deleitarmos na falsa ilusão que sustenta o mundo, nosso mundo.

Receba este conhecimento morto. Valioso. Não é um simples papel, mas também é reconhecido por toda nossa cultura, por toda civilização, e com ele conquista a confiança dos seus pares: homens patriarcais e mulheres matriarcais, lados de uma mesma moeda que se consome como inimiga de si mesmo.

Tu dizes que este conhecimento não interessa. Com ele não vive nem sente a emoção que foi capaz de nos humanizar. Uma inteligência-máquina não poderia suplantar a ingenuidade dos conheceres da infância. Deveis permanecer infantil?

Não, nunca existiu este tal de conhecimento vivo que imagina. Imaginação, não passa disso. Vive em suas fantasias uma utopia. Cresça, menina!

Desde que somos gente, desde que criamos a moral capaz de subjugar nosso instinto assassino e cruel, é o conhecimento morto que existe, e com ele, toda autoridade meritocrática capaz de nos elevar na memória de cidades, países e do mundo inteiro, laureado pelos feitos que puderam torná-lo um herói, imortal.

Você deseja retroceder, voltar ao estado selvagem do qual nos livramos, repetir toda descoberta, atrasar nossa marcha triunfal rumo à glória do Altíssimo.

– Não, senhor. Se há algo que podemos reproduzir, é o ato de conhecer. Mas ele é diferente a cada momento, para cada um. Quero apenas sentir-me viva quando descubro algo, por isso, fazer conhecimento vivo. Não me interessam as palavras que se repetem há séculos, cujo peso da autoridade destrói à força as portas no meu coração. Quero ver como quem vê pela primeira vez, mesmo que o mundo todo já tenha visto e todos saibam, espero que cada um veja com os olhos da descoberta, do inesperado e do deslumbramento. Os olhos do amor, que miram cada instante para quem ama como se fosse a primeira vez, são estes os olhos do meu conhecimento vivo.

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