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Por muito tempo usei esta frase em vários momentos da minha vida, como também personifiquei uma espécie de coach espiritual para alguns amigos, afirmando que o erro está na dúvida.

De fato, ajudou muito. Mas, como tudo, tenho colocado isso em perspectiva. Lembro de Nietzsche, quando disse que as convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras. Longe de querer mergulhar no que poderia ser esta verdade nietzschiana, uma convicção inquebrantável torna-se facilmente uma fé cega neste mundo loucamente complexo e dinâmico que vivemos atualmente.

Em tempos de transição, convicções nos cegam ao novo. Uma cegueira paga como preço para evitar a insegurança que impede de nos atirarmos ao abismo do desconhecido.

Somos convictos ao defender nossos interesses, ou melhor, o que acreditamos, pois é o chão onde assentamos nossa existência. Mas existe uma parte de nós que anseia o desconhecido, que deseja colocar-se em dúvida, em desconstruir-se, para poder vislumbrar algo inesperado, que o surpreenda. E esta parte em nós pode ser justamente o efeito do imprevisível querendo encontrar a si mesmo nos multiversos.

Tem uma frase atribuída à Frank Zappa onde ele diz que a mente é como um paraquedas, só funciona se abri-lo.

Esta última condição creio que seja fundamental à libertação do humano, à pessoa que iremos descobrir pari-passu com a sociedade que se estrutura. Porque a diferença fundamental desta nova civilização não está no que se conhece, na sabedoria acumulada em toda sua história, como também não está no que se desconhece, na abertura ao mistério, ao que se fazia oculto. Ambos, o velado e o revelado, sempre estiveram no caminhar do buscador. Talvez devemos estar abertos e preparados para viver a parte da realidade que é o imprevisível e aprender como lidar com ela.

Nosso anseio ao imprevisível se mostrará cada vez mais tão fundamental que passará a fazer parte de nosso comportamento, conferindo uma espontaneidade pura, oriunda daquele que respira liberdade. O imprevisível se fará espontaneamente social.

Tanto o que se conhece quanto o que se desconhece faz com que o homem atribua um caráter de previsibilidade, de modo que mesmo com a descoberta ou com a criatividade temos uma reação confortável. Na verdade não existe criação, não há nada que seja novo, nenhum lampejo, ideia, intuição, é genuinamente nova, mas um produto de uma trama pré-existente que se apresenta numa nova configuração. Co-criamos, sempre. As coisas não mudam, o que muda, é como vemos estas mesmas coisas.

O que se faz desconcertante e realmente inovador é conferido pela medida de imprevisibilidade que existe no universo. Mesmo dentro as zilhões de realidades possíveis dentro de ilimitados espaços e infinitos tempos nos multiversos existentes, existe sempre espaço para o imprevisível.

E dentro desta imprevisibilidade em busca de si mesmo, a surpresa poderia revelar que “o erro está na certeza…”.

Pronto! Algo como se o futuro fizesse presente, alterando este título que permeia o texto como um eco do passado. Os tempos ocorrem simultaneamente, e todos estão se reconfigurando a cada momento, portanto, só existe o AGORA, e ainda que a referência de uma mesma coisa no tempo possa se apresentar contraditória, ela não é arbitrária.

Alguém lembra deste diálogo?

– Onde você está?

– Aqui.

– Que horas são?

– Agora.

– Quem é você?

– Este momento.

E se quisermos continuar, diria que o erro está na certeza, e esta é a própria sabedoria da inexistência de deus.

O Rei se transformou em Rede.

Vale a frase como tema de meditação, pois que nem erro, nem certeza, nem sabedoria, nem inexistência, nem deus, o são de fato…

No mundo onde o homem entra em contato com a imprevisibilidade, as certezas que definem realidades para que as tornem previsíveis somente impedem o processo de libertação da vontade.

Vontade esta que é a essência da liberdade, e se faz sabedoria conhecer a inexistência de deus, pois este deus super-humano, antropomorfizado, ou seja como for, não possui mais sentido quando o espírito santo está no meio de (ou entre) nós. A experiência com o divino se transforma na convivência com ele, através de todos nós, pessoas.

O outro é você mesmo em um mundo diferente.

O tempo virou todos os tempos. Mudamos o passado agora. Vivemos o futuro hoje.

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